22 dezembro 2005
19 dezembro 2005
18 dezembro 2005

Floresta / PE - Dezembro de 2005
Fotografia: Raphael Paiva
Dezembro Despedaçado
O Município é Floresta, Pernambuco. Fica no centro do chamado "Polígono da Maconha", a 50 km do local em que nasceu Lampião.
A história da cidade é marcada pela rivalidade entre as famílias "Ferraz" e "Novaes". Segundo os antigos, a briga começou trinta anos atrás, quando um Novaes comprou uma sela roubada de um Ferraz. Este último foi tirar satisfações e acabou morto, dando início a uma série de assassinatos que consumiu a vida de dezenas de pessoas. Dizem que chegou a se enterrar 4 pessoas de uma só família num mesmo dia...
25 novembro 2005
A novidade que tem no Brejo da Cruz é a criançada se alimentar de luz. Alucinados, meninos ficando azuis e desencarnando lá no Brejo da Cruz. Eletrizados, cruzam os céus do Brasil na rodoviária assumem formas mil. Uns vendem fumo tem uns que viram Jesus, muito sanfoneiro cego tocando blues. Uns têm saudade e dançam maracatus, uns atiram pedra outros passeiam nus. Mas há milhões desses seres que se disfarçam tão bem que ninguém pergunta de onde essa gente vem. São jardineiros, guardas noturnos, casais... são passageiros, bombeiros e babás. Já nem se lembram que existe um Brejo da Cruz, que eram crianças e que comiam luz. São faxineiros, balançam nas construções. São bilheteiras, baleiros e garçons... já nem se lembram que existe um Brejo da Cruz que eram crianças e que comiam luz.
24 novembro 2005
Fotografia: Raphael Paiva
De dia: Pipa. De noite: Ameaça!
Ouve-se dizer muitos absurdos sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terras - MST. Quase sempre, trata-se de coisas ditas de modo orquestrado pelos interessados na manutenção do status quo e repetidas mecanicamente pelas almas mais fracas de nossa espécie humana, sem propriedade alguma. O mais qualificado discurso é aquele elaborado a partir de impressões reais, baseadas nas experiências vividas. Elas permitem o despertar da razão em análises fundamentadas dos erros e acertos de quem quer que seja.
Pensando assim, estive em diversos assentamentos / acampanhamentos rurais em diversas regiões do Brasil. A foto acima é de um assentamento rural no município de Marabá (Pará), área de graves conflitos rurais que normalmente resultam no assassinato de líderes dos Sem-Terras e na chacina de militantes da reforma agrária.
Horas após tirar esta foto, no mesmo lugar em que a criança se divertia com a pipa, uma tentativa (meio eficiente) de intimidação à nossa equipe aconteceu, obrigando-nos a recorrer à proteção da Polícia Federal. Eram apenas jagunços de um latifundiário local, que se incomodara com a nossa presença...
07 novembro 2005
Fotografia: Raphael Paiva
Orgulho brasileiro
Este pessoal aí é do Movimento dos Pequenos Agricultores - MPA, ligado ao MST. Bastante organizados, vieram a Brasília participar de um evento e se depararam com a indesejável visita norte-americana. O melhor momento para mim foi quando, do meio desta turma, surge um militante tentando fotografar a bandeira cubana que eu carregava estampada na camisa com os dizeres: "200 milhões de crianças dormem nas ruas do mundo. Nenhuma delas é cubana". Convenhamos, o que é bom deve ser divulgado! 

09 outubro 2005
Fotografia: Luciana Fonseca
João de Barros Filho.
Este filhote de João de Barro caiu do ninho e, enquanto tentava fugir de um Cocker eufórico, machucou uma das asas. De início, não queria saber de maiores cuidados humanos. Entretando, à medida que a noite se aproximava e suas infrutíferas tentativas de voltar ao ninho lhe cansavam, ele se mostrava mais inclinado a aceitar algum apoio. Até que se rendeu: usou-me como poleiro e adaptou-se a passar a noite numa gaiola e o dia no quintal, onde ensaia pequenos vôos...

Fotografia: Raphael Paiva
Estrada Imaginária
Combinei com um amigo* que sairíamos a fotografar neste fim de semana pelas redondezas de Brasília. Como não fomos, improvisei um passeio noturno pelo quintal da casa da minha namorada, munido da câmera e de uma lanterna.
Enquanto tudo parecia adormecer no mundo dos homens, cupins e formigas trabalhavam macrologicamente. Foi muito interessante acompanhar parte daquele "dia de trabalho", mas não consegui registrar o movimento como queria. Vou tentar novamente, praticar o modo "macro" em ambiente noturno, para registrar aqui algumas reflexões.
Mas a foto acima, esta sim, me agradou muito. Ela me fez recordar das trilhas noturnas de São Jorge, na Chapada dos Veadeiros... e que está passando da hora de voltar por aqueles lados.
06 outubro 2005

Paulo Afonso / BA - Setembro de 2004
Fotografia: Raphael Paiva
O Rio Milagreiro
Um engajado bispo brasileiro decidiu "entregar sua vida nas mãos do Presidente Lula", caso este não interrompa o Projeto de Interligação da Bacia do São Francisco. Está em greve de fome desde o dia 26 de Setembro de 2005, e já perdeu 4 quilos.
Eu conheci o Rio São Francisco em três pontos distintos: em Minas Geraes, no Município de Três Marias, na Bahia, no Município de Ibotirama e em Paulo Afonso, na fronteira entre Bahia, Sergipe e Pernambuco. Tem um volume de águas impressionante, mas bastante maltratada pela fúria industrial e agrícola de homens e suas empresas, às margens do Rio.
No foto acima podem ser vistas sobre as águas do São Francisco dezenas de tanques-rede, criatórios de Tilápia. Pertencem a uma associação de pescadores, gente simples que adotou uma forma de trabalho não-predatória, tirando do Rio o próprio sustento.
Esta realidade constrasta com a outra face do semi-árido brasileiro, em que a água é escassa até mesmo para o consumo doméstico. Os poucos rios são temporários e existem apenas em determinadas épocas do ano. Um pequeno volume da água do São Francisco poderia, de acordo com o projeto, perenizar esse fluxo hídrico com um baixo custo ambiental para o Rio (o projeto obteve licença ambiental do IBAMA), caso ele seja devidamente revitalizado.

03 outubro 2005
Pescando o almoço
Adentramos a floresta amazônica pelo Rio Tucuruy, afluente no Rio Solimões, com o intuito de nos despedir daquele lugar. O clima nostálgico era evidente e se aprofundava a cada comunidade ribeirinha em que parávamos. Na foto, tirada em movimento a uma distância maior que a desejada, um jovem sábio vascaíno e seu amigo preparavam um lance perfeito para pescar o almoço. 

Quando a tecnologia e a prepotência não superam a simplicidade.
Lá pela terceira hora de viagem ultrapassamos estes pescadores em alta velocidade. As ondas que deixamos os colocaram em apuros, fato que arrancou gargalhadas do nosso "piloto" e seu ajudante. Instantes depois o motor da voadeira em que estávamos quebrou, deixando-nos, quase literalmente, a ver navios. Os pescadores nos ultrapassaram, respeitosamente... 

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